Ao longo do nosso (ainda curto) trajecto como pais, muitas vezes nos questionam acerca da nossa ligação constante aos nossos filhos e que implicações isso causa. Falamos aqui de uma ligação física que tem um carácter permanente. Os nossos filhos nunca estiveram separados dos pais, a não ser em situações muito específicas e durante o mínimo de tempo possível. Os nossos filhos nunca dormiram uma única noite sem nós, pois todos os três (agora com 3;1;1; anos respectivamente) dormem conosco desde que nasceram, no nosso quarto, partilhando conosco a cama sempre que dela necessitam. Os nossos filhos vivem a sua casa e as actividades que lá podem desenvolver da forma mais livre que nos é possível proporcionar-lhes, consoante o que podemos e sabemos fazer, de forma permanente, pois não foram depositados em nenhum infantário/creche/ama/outros.
Posso afirmar com bastante certeza que o bem-estar dos nossos bebés está intimamente ligado à presença constante de uma mãe que não fez outsourcing das suas funções de progenitora e à presença (em todos os minutos que me são possíveis) de um pai. Parece estranho para tanta gente que todos os pedaços de tempo em que estamos juntos (todos os cinco), sejam dedicados a isso mesmo: estarmos juntos os 5, a ser uma família, a fazer coisas juntos, sabendo que ás vezes corre melhor, outras pior. Sabendo que dedicamos totalmente os fins de semana a estarmos todos juntos com os nossos filhos porque a familia tem 48 horas por semana seguidas para estar unida na sua totalidade, chegamos tantas vezes ao final da noite de domingo, pai e mãe olhando-se nos olhos e vendo as suas crias a dormir, exaustos. Exaustos, mas quentes do tempo e do amor que tivémos o privilégio de viver ininterruptamente desde a sexta-feira anterior até àquele momento em que tudo acaba, em que volta o despertador da manhã de segunda-feira a anunciar mais cinco dias de separação.
Hoje em dia isto parece disparatado para tanta gente, o facto de eu (pai) encarar os dias "úteis" em que tenho que trabalhar fora de casa, como dias de separação. Penso-o legitimamente, pois entre cada segunda-feira e sexta-feira, passo o melhor do meu dia a trabalhar para outrém, deixando para trás os que amo, a minha mulher e os meus filhos. E assim será sempre enquanto eles crescerem, deixando-me privado de os acompanhar enquanto eles realmente precisam de mim.
Hoje vivemos demasiado centrados na nossa função profissional, somos condicionados a pensar assim, mas o que sentem os nossos bebés? O que precisam de facto? Nenhuma resposta poderá ser dada para além da seguinte: necessitam da presença constante e do amor incondicional da mãe (que considero claramente essencial por tantos e tantos motivos, principalmente nos primeiros anos de vida) e do pai. Quando nós, mamíferos, nos tornamos pais/progenitores, a nossa função primordial é, acima de qualquer outra, cuidar dos nossos filhos/crias. Ganhar dinheiro (mantendo, no entanto, o seu devido espaço pela estrutura social em que vivemos), torna-se secundário, tal como tudo o resto.
Muitas vezes nos perguntam coisas como: porque não os deixam por umas horas para ir ao cinema, para jantar fora os dois? E os teus hobbies, o ténis, a corrida, o teatro? E a tua carreira? E os teus amigos, as saídas?
Mas hoje eu, pai de 3 bebés que dependem de mim sem reservas, sinto que a vida individual e individualista (como é hoje tão prezada por todos), mesmo de forma segmentada, cada vez menos sentido faz. A minha individualidade já não é só minha. O meu ser, o meu tempo e o meu corpo já não são só meus. Partilho-os com os meus filhos, com a minha mulher, fazendo jus aos votos que proferi quando nos propusémos a formar uma família.
Tenho pena de apenas o poder fazer a tempo parcial... espero pelos fins-de-semana, quando formamos um só corpo familiar. Desejo que um dia isso se torne a realidade permanente.
Em defesa dos nossos filhos, construamos juntos este espaço de partilha, na esperança de contribuir para que mais crianças tenham a oportunidade de crescer numa educação baseada no amor incondicional, no respeito, na liberdade, um passeio de mãos dadas, pais e filhos caminhando como iguais sem recurso a figuras de autoridade, sem castigos físicos ou de qualquer ordem...Um caminho de descoberta e aprendizagem mútua onde o amor é a ferramenta pedagógica.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
A ler
As nossas crianças continuam expostas aos mais diversos tipos de violência, aos castigos físicos ou emocionais, à humilhação. Sugiro a leitura desta notícia no Diário de Notícias e ainda a leitura dos comentários dos leitores, bem exemplificativos do "porquê" de isto continuar a acontecer.
A cobro de uma suposta educação das crianças fazem-se as coisas mais incríveis a seres que, no fundo, são indefesos e apenas procuram o nosso amor e reconhecimento.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Como primeiro post aqui fica uma entrevista que vale a pena ler, não é sobre a educação sem castigos , mas é de um pediatra que a defende, o Dr, Carlos González.
Nunca nos devemos esquecer que criar uma criança é acima de tudo uma questão de bom senso e intuição, mesmo no caso de decisões por vezes difíceis que dizem respeito à saúde dos nossos filhos. Existe alternativa a confiar cegamente no que ouvimos do primeiro técnico de saúde.
No que diz respeito à saúde dos nossos filhos, no nosso percurso como pais, sempre sentimos que fomos nós a decidir com toda a liberdade e responsabilidade que isso acarreta... Quando é necessário, lemos estudos, pesquisamos, falamos com vários técnicos... e em consciência decidimos. É sempre nossa a responsabilidade, os técnicos devem ter a função de informar, de ajudar os pais a tomarem decisões verdadeiramente informadas.
http://www.paisefilhos.pt/index.php/destaque/5427
Nunca nos devemos esquecer que criar uma criança é acima de tudo uma questão de bom senso e intuição, mesmo no caso de decisões por vezes difíceis que dizem respeito à saúde dos nossos filhos. Existe alternativa a confiar cegamente no que ouvimos do primeiro técnico de saúde.
No que diz respeito à saúde dos nossos filhos, no nosso percurso como pais, sempre sentimos que fomos nós a decidir com toda a liberdade e responsabilidade que isso acarreta... Quando é necessário, lemos estudos, pesquisamos, falamos com vários técnicos... e em consciência decidimos. É sempre nossa a responsabilidade, os técnicos devem ter a função de informar, de ajudar os pais a tomarem decisões verdadeiramente informadas.
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